sábado, 31 de dezembro de 2016

RETROSPECTIVA 2016



O ano difícil de 2016 está chegando ao fim. Aaapesar dos pesaaares, foi um ano de muitas conquistas e muitos avanços para o Motyrum! Com isso, resolvemos fazer uma retrospectiva das nossas atividades nesse ano moribundo :D

Primariamente, um dos grandes marcos do ano para o Programa foi a realização do evento “Insurgências Urbanas II”, cujo o tema foi “Os Desafios da Nova Agenda Urbana e o Direito à Cidade”. As palestras dialogadas proferidas no primeiro dia trabalharam o universo das Conferências Internacionais, em razão da III Conferência das Nações Unidas para Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, em Quito, na qual as Coordenadoras do Núcleo Urbano, as Professoras Dulce Bentes e Marise Costa estiveram presentes. 

Seguinte a isso, o evento também contou com um segundo dia muito importante para concretização das reinvindicações dos cidadãos e cidadãs natalenses dentro do contexto de discussão mundial sobre a vida urbana sustentável. Nesse sentido, os debates com os participantes do “Insurgências Urbanas II”, elaboraram proposições para nossa Natal! (https://drive.google.com/drive/folders/0B9tEz-da-T9qWVliNmtqbG9Sd2M) As conversas se deram em torno dos seguintes eixos temáticos:

1. Direitos Humanos, Desenvolvimento Econômico e Inclusão Social;

2. Urbanização e Uso Sustentável do Território e;

3. Governança Democrática e Participativa.

Antes do evento em si, estivemos presentes no Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte no auditório da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, organizamos uma formação sobre Conferências Internacionais com Gabriella Baesse da ONG Engajamundo, fizemos a exibição do curta “Abraço de Maré” do cineasta Victor Ciríaco, na Virada Cultural da Ribeira, sem esquecer a distribuição das 100 mudas de ipês roxos e amarelos no Setor I da UFRN. As plantinhas fizeram muito sucesso e, com certeza, vão deixar nossa cidade cada vez mais arborizada e linda. 

Para fechar o ano com chave de ouro: a Festa de Natal do Jacó! A celebração natalina foi organizada junto com moradores da Comunidade onde atuamos, no dia 17 de dezembro. Ficamos muito felizes por termos conseguido trabalhar um pouco do significado de paz, comunhão e união que remete a essa época, vendo a alegria das crianças com brincadeiras, muita comida boa e presentes! :D

Mas não para por aí não, hein?! Tem mais!

Voltamos a realizar atuações no Pavilhão Feminino da Penitenciária Estadual Doutor João Chaves, na Zona Norte de Natal, onde, anos atrás, o Núcleo Penitenciário iniciou suas atividades originalmente. Ao longo do ano, diferentes atividades de Educação Popular foram realizadas com as apenadas sobre assuntos diversos dentro do eixo dos Direitos Humanos como “a família no cárcere” e “a questão de gênero dentro do contexto prisional”.

Além das atividades de Educação Popular, que fazem o enfoque principal do Motyrum, o Núcleo realizou o acompanhamento processual de todas as apenadas do pavilhão, em conjunto com a aplicação de questionários do Projeto de Mapeamento da Unidade Prisional - projeto de extensão mantido pelo Núcleo que visa conhecer quem são as internas da João Chaves em vários aspectos (econômico, social, religioso, cor, instrução, entre outros) - o que poderá, por ventura, nortear políticas públicas específicas para esse grupo vulnerável de pessoas.

Em conjunto com as atividades rotineiras do Projeto, houve ainda, a publicação de uma edição da Revista Transgressões, com um volume por semestre, trazendo artigos diversos sobre as ciências criminais, muitos deles de qualidade excepcional, com temas controvertidos que, seguramente, fomentam o debate na área e dão contribuições relevantes para a construção do conhecimento criminológico e a concepção de soluções para os muitos problemas vivenciados nessa área.

E ainda, na CIENTEC tivemos nosso estande do Programa com exposição de fotos, cartazes, banners, produtos fabricados por pessoas em situação de privação de liberdade e muita gente curiosa querendo saber mais sobre o Motyrum.



Depois de um 2016 de muito trabalho, aguardamos que 2017 venha com muito mais! Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todxs que se dedicaram verdadeiramente ao Programa de Educação Popular em Direitos Humanos! Cada evento, lançamento de revista e atuação foram construídos com muito carinho por cada pessoa envolvida. Que no ano que está chegando essa dedicação só aumente, que esses laços se fortaleçam e que “a vontade amorosa de mudar o mundo”, como dizia o nosso querido Paulo Freire, se faça presente nos corações de cada um! 

O Motyrum deseja a todxs um Feliz Ano Novo! ;D

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Resultados do Insurgências Urbanas II!


Divulgamos o resultado dos debates realizados no evento Insurgências Urbanas II: Desafios da Nova Agenda Urbana e o Direito à Cidade, com foco na realidade da cidade de Natal. Esperamos que as proposições voltadas para uma Natal mais sustentável, justa, inclusiva e democrática possam contribuir, de algum modo, na escolha de seus candidatos na eleição do próximo dia 2 de outubro.

https://drive.google.com/drive/folders/0B9tEz-da-T9qWVliNmtqbG9Sd2M 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016



No dia 19 de setembro de 1921 nasceu no Recife, o patrono da educação brasileira: Paulo Freire. Hoje, vivo, estaria comemorando 95 anos de pensar e transformar com empatia, coragem e fé.

Sua história com o Rio Grande do Norte iniciou-se pouco antes do período da Ditadura Militar, em 1963, quando foi responsável pela alfabetização de 300 adultos no período de quarenta e cinco dias. Graças a seu método inovador, tornou o desafio vencível, valorizando a autonomia, as ideias e a criatividade de cada uma das pessoas, tantas vezes oprimidas.

No curso de sua vida, o Golpe o fez ser exilado na Bolívia. Fora do Brasil, fez trabalhos de caráter pedagógico, político e social no Chile, em Moçambique, no Guiné-Bissau, em Cambridge, na Universidade de Harvard e em Genebra.

Notavelmente, a sua história de vida o possibilitou construir ideais eternos que transpassam a materialidade. Assim, cumulam sonhos nas mentes e corações de muitas pessoas nos países por onde passou e naqueles outros que alcança por meio da mensagem educadora deixada de herança para o mundo.

De um jeito muito especial, essa mensagem tocou alunas e alunos da UFRN que, inspirados por esses ideais, criaram o atual Programa de Educação Popular em Direitos Humanos – Motyrum, composto por jovens imbuídos de uma vontade amorosa de mudar o mundo que enaltecem a memória de Paulo Freire, parabenizando-o pela sua vida e fazendo votos pela imortalidade de suas ideias.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A vida urbana não para!



Já voltamos às aulas há algumas semanas, mas o relato de hoje vem de uma época de tranquilidade para uns e muito trabalho para outros, afinal, a vida urbana não para!

Por conta disso, ainda que em férias das aulas na UFRN, as alunas e alunos participantes do Núcleo Urbano do Programa Motyrum não deram pausa nas atividades! Durante a tarde de sábado do dia 16 de julho, as(os) estudantes foram de porta em porta, acompanhados da simpatia de Dona Vera, falar com as(os) moradoras(es) de cada uma das residências da Comunidade do Jacó. A conversa tinha como motivo fazer a entrega do folder que apresenta o Programa, falar das conquistas já feitas, enfatizando que juntos as(os) moradoras(es) do Jacó podem muito mais!

Durante esse período entre a última ação e essa entrega dos convites para um novo encontro no dia 23 de julho, o Poder Público se fez presente na comunidade do Jacó de uma forma muito positiva: garantindo o direito à saúde dos moradores que buscaram a Secretaria Municipal, entregando ofício solicitante de ações preventivas contra a proliferação do mosquito aedes aegypti e de ratos que assolavam a comunidade. Foram os(as) agentes municipais de saúde que passaram nas residências orientando as pessoas em como combater o mosquito e os ratos, agindo com mecanismos de controle de pragas de dedetização e desratização.


Dia 23 de julho, o Teatro dos Bonecos se repetiu. Nós do Motyrum, as(os) moradoras(es) do Jacó e os(as) agentes da Secretaria Municipal de Saúde sentamos em uma roda de conversa para debater as questões relativas a saúde das(os) moradoras(es) nesses aspectos.

Enquanto isso, as crianças brincavam. Faziam pinturas relativas aos aprendizados com o Teatro de Bonecos retratando sobre o aedes aegypti e as doenças das quais ele pode ser um vetor de transmissão. Já os adultos, tiraram dúvidas e apresentaram outros problemas, como as dificuldades com a coleta de lixo e questões relativas a terrenos abandonados de dominialidade desconhecida que acumulam resíduos sólidos e orgânicos, de modo a inviabilizar sua destinação correta.

Sendo assim, nos aproximamos de mais uma ação porta a porta. Em breve, estaremos fazendo visitas para registrar, mediante questionário, uma conversa com os moradores, objetivando melhor conhecermos a comunidade, assim como, usarmos juntos de um perfil comunitário para desenvolvermos cada vez mais nas nossas ações, a identidade com o dia-a-dia das pessoas que moram no Jacó.


domingo, 5 de junho de 2016

Comunidade do Jacó aciona Poder Público para promover Ação de Combate ao Mosquito aedes aegypti



No prolongamento da Av. Floriano Peixoto, entre Petrópolis, Rocas e Praia do Meio; próximo à praia, praças, escolas, hospitais, supermercado, pontos de ônibus, cercada por muros altos, encontra-se a singular Comunidade do Jacó, lugar onde percebe-se que morar com qualidade e bem localizado tende, cada vez mais, a ser uma oportunidade para poucos. 

Isso porque, em contrassenso às vantagens da localização privilegiada, os moradores enfrentam, dentre muitos problemas, aqueles de infra-estrutura básica e acesso a serviços de coleta de lixo no ambiente em que vivem. Por conseguinte, vários casos de zika, dengue e chikungunya associados a existência de terrenos baldios, casas interditadas pela defesa civil, acúmulo de entulho e lixo doméstico no perímetro da Comunidade, foram o motivo mais urgente de insatisfação na primeira Roda de Conversa que tivemos com os moradores em março desse ano. 

Desde então, entre reuniões no Jacó e na UFRN, a busca por visibilidade para garantia de direitos desencadeou em uma solicitação vinda da Comunidade - com apoio do Núcleo Urbano do Motyrum - por uma ação do Poder Público que envolvesse a limpeza dos terrenos públicos e privados, assim como, promovesse uma ação educativa para combater a proliferação do mosquito. 

Portanto, além das medidas tradicionais de avaliação das casas e terrenos para a devida limpeza, visto essas condições se repetirem em outras comunidades de Natal, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolve um trabalho educativo para os moradores das comunidades por meio do Teatro de Bonecos. Interativo, descontraído, engraçado e adorado pelas crianças, o Teatro traz como personagens: o mosquito aedes aegypti, Joãozinho, Lili, o Pai de Lili e o Agente de Saúde que retratam de forma muito agradável o tema para toda família.

Nesse domingo, Dia Mundial do Meio Ambiente, a comunidade deu um primeiro passo na garantia de um meio ambiente essencial a uma sadia qualidade de vida. Um primeiro passo de um longo caminho que, se for trilhado com as risadas que ouvimos hoje, com certeza não vai faltar esperança para seguirmos por ele.

Nota do Programa Motyrum de Educação Popular em Direitos Humanos sobre os recentes casos de estupro



Nós do Programa Motyrum de Educação Popular em Direitos Humanos, por meio de nota e com profundo pesar, prestamos solidariedade às adolescentes vitimadas pelos estupros coletivos perversamente praticados em Bom Jesus (PI) e Rio de Janeiro (RJ). É inadmissível que, de 30 homens em um mesmo espaço, estando a garota visivelmente dopada, todos tenham sido coniventes com essa violência. Como também o foi quando 5 homens doparam uma garota para estuprá-la. É inaceitável que alguém se aproprie do corpo do outro e que isso só tenha sido possível devido à cultura do estupro; vociferante na nossa sociedade. Esta nota, portanto, estende-se também a todas às mulheres, que pela frequente subjugação, são levadas - se não a partilhar da dor das vítimas - a compreender o peso que impera sobre elas. 

Mais que trinta e cinco homens. Os mais recentes casos de estupros coletivos reafirmam uma leva de pessoas que, não só compactuaram com a violação da integridade humana, como também partilharam gravações do crime e relativizam os estupros, chegando a atribuir a culpa à vítima - situações essas que tanto demonstram um profundo sentimento de impunidade quanto a objetificação da mulher. É de praxe, por exemplo, que o machismo considere a roupa curta, a liberdade sexual feminina ou até mesmo “estar sozinha” como fundamento para a violação sofrida e não à real causa: a cultura do estupro. Essa violência inicia-se bem antes da consumação da violação física, demonstra-se na própria limitação do espaço: de onde deve andar uma mulher; como deve estar e onde deve estar; isso já é em si uma violência. 

Não nos é possível admitir essas e outras violações. Não nos cabe aceitar que as mulheres tenham a liberdade cerceada e os corpos invadidos com o consentimento de uma sociedade imersa em machismo. O estupro é um crime hediondo cuja prática e consequências não podem ser aceitas nem justificadas. Defender o contrário é como assumir que há a violência porque há vítimas e não porque há violentadores; e isso só acarreta em mais danos psicológicos às mulheres coagidas: essas que por vezes são desencorajadas a denunciar por medo – que se agrava quando o agressor não é um desconhecido - ou vergonha – sim, pois a sociedade violenta, julga e violenta. 

Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), a cada onze minutos uma mulher é violentada, mas a cultura do estupro está para além disso. Aloja-se também nas aparentes sutilezas: naturalizadas no comentário “inocente” sobre meninas como Valentina, do programa MasterChef; no olhar carnal à negra que samba no carnaval; na novela que exibe uma cena de estupro para ganhar audiência e nesses homens que entorpecem e estupram mulheres. Ademais, a violência contra a mulher está também estruturada nas nossas instituições administrativas, legislativas e no próprio judiciário. 

Como não lembrar dos retrocessos aos quais os Brasil vem sendo exposto? A extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos; o Projeto de Lei 5.069/2013, apresentado pelo ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e que dificulta, por exemplo, o aborto em caso de estupro; a PL 478/2007, que propõe identificar o estuprador como pai na certidão da criança que nasce ou ainda os desserviços muitas vezes prestados pelas delegacias às quais mulheres vítimas de estupro recorrem. Isto há uma série de aparatos que, formalmente, contribuem para a manutenção da cultura do estupro. Não só isso, também reiteramos a necessidade de punir devidamente todos os envolvidos nos estupros coletivos decorridos no Piauí e no Rio de Janeiro e de intensificar políticas públicas combativas. Não podemos aceitar o silenciamento e retrocesso nas conquistas contra a base do problema; este de cunho moral. 

Nós do Programa Motyrum de Educação Popular em Direitos Humanos, prestamos integral solidariedade às vítimas dos estupros coletivos do Rio de Janeiro e Bom Jesus e assentimos que também lutamos pelo fim da cultura do estupro!

Programa Motyrum de Educação Popular em Direitos Humanos 

*Texto feito pelas mulheres do Núcleo Infanto Juvenil do Programa.

sábado, 4 de junho de 2016

Programa Motyrum participa de Audiência Pública no Arena do Morro

Quem acompanha as ações do Programa, sabe que o Motyrum tem um histórico no bairro de Mãe Luíza. Neste sábado que antecede o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Motyrum voltou à Comunidade para participar de Audiência Pública realizada na Arena do Morro – vale salientar, internacionalmente premiada na categoria “Arquitetura Esportiva” pelo "Building of the Year 2015".

A Audiência Pública tratou de tema extremamente relevante para toda capital potiguar: a regulamentação da Zona de Proteção Ambiental nº 10 (ZPA-10) que se caracteriza como uma área de encostas dunares localizada no bairro que fica no coração da cidade de Natal e teve sua história iniciada por ocupações de famílias vindas do interior do Estado, em busca de melhores condições vida. 

Nesse sentido, as ZPAs aparecem como instrumento legal para definir bases de uso e ocupação do solo, com vistas a proteger o meio ambiente urbano e trazer a possibilidade de garantir o Direito à Cidade dos moradores de Mãe Luíza, promovendo a preservação do patrimônio paisagístico, histórico, cultural, turístico e ambiental do município.

Para tanto, é necessário que esses espaços de debate sejam marcados fortemente pela presença do povo de Mãe Luíza e dos natalenses, com atenção especial aos jovens. Essa é a opinião da Professora Josélia dos Santos, moradora do bairro desde janeiro de 1968, para ela, que iniciou a participação nas ações da comunidade por meio de um grupo de jovens "[...] a juventude é quem vai pensar e construir o amanhã, principalmente, pra essa comunidade e paras demais comunidades também. O jovem hoje, ele tem uma abertura maior, ele tem uma possibilidade maior de estar discutindo, de estar se encontrando, de estar propondo alternativas que venham para melhorar a qualidade de vida nas comunidades". Além disso, a Professora Josélia lamenta, concordando com falas de outros moradores na Audiência, que os documentos e pronunciamentos das autoridades tem "um conteúdo muito técnico, um linguajar que não é apropriado para comunidade". 

No cenário presente, o Programa Motyrum reforça seu papel defensor dos Direitos Humanos e entende que a participação democrática exige acessibilidade a todas as pessoas, incluindo não somente o espaço físico em que são realizadas as Audiências, como também, a divulgação e compreensão pelos cidadãos sobre as temáticas nelas debatidas. Sumariamente, entendemos que, diante disso, emerge a importância da Educação Popular, eixo que fundamenta as ações nas comunidades que atuamos ao longo da nossa história.